Saturday, August 3, 2013

URBANAS Parte 2 - J.

2.

Minha vida tá sempre mais ou menos
Mas não reclamo porque quando muda é pra pior
Sô classe média-média urbana
Tô sempre no meio
Acomodado no meu muro,
Eu não desço, não
Não moro em morro, nem em mansão
O meu apê é pequeno,
Meu carro não tem gasolina
Mas não pego busão
Metrô é meio pra quem tá
No meio da confusão
Me assaltaram o celular
E eu tô na prestação!
Na estação vô reclamando
(meu discurso nunca muda)
Não sô crânio, mas tenho educação
(pelo menos é o que dizem)
E assim vou seguindo,
Com rimas fáceis, repetindo o que me foi dito
Que eu sou o futuro, que sou cidadão
Então, fim de ano na tv
Faço uma doação
Assisto o show e me emociono com imagens melosas
E mês que vem, na praia grande, curto a eleição
No mundo, nada muda
Não depende de mim
Alienada classe média mede o tempo de vida
E a poupança que não cresce junto com a inflação
O meu salário, mixaria, não ajuda em nada
E os meus pais, em casa
Não me querem mais
Minha vida tá pra menos
E o governo fala pra eu não desistir
Quem sabe um dia eu não fico famoso
E faça do mundo um lugar melhor pra se viver?
Mas só de pensar nesses crimes que mostram na tv
Vejo que ainda tenho muito a perder
E é melhor não arriscar
...
É, minha vida tá sempre
Mais ou menos
E eu tô sempre no meio
Sempre no muro.

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